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Tens a loucura que a manhã ainda te traz

Este blog resume-se, basicamente, aos meus devaneios mentais.

Tens a loucura que a manhã ainda te traz

Este blog resume-se, basicamente, aos meus devaneios mentais.

12
Jul12

Adeus.

Catarina Watson.

 

No outro dia fui a casa do M.

Uma casa simples, rústica, mas simultaneamente bastante acolhedora. 

Assim que entrei abriu-me a porta, ainda de toalha na cintura, com uma cara um tanto ou quanto envergonhada, a dizer-me para ir até à sala, que ele estava a acabar de tomar banho.

E assim fiz. Entrei, subi as persianas de uma espécie de madeira, e fiquei à janela a ver o Phineas - o cão do M - a brincar no riacho ao fundo do prado. Ri-me. Aquele cão era exactamente como o dono: fazia o que bem lhe apetecia, óptimos «quebra-rotinas». Por alguma razão teria o nome que tem.

Depois sentei-me no sofá e fiquei a ver algumas fotografias. Sim, porque coisa que não faltava naquela casa – para meu deleite nas horas de espera - era fotografias.

Fotografias do M. a gatinhar com um sorriso rasgado de apenas um dente; Fotografias do M. a fazer birra no seu primeiro dia de escola; Fotografias do M. na equipa de basquete; Fotografias do M. no baile de finalistas do Secundário; Fotografias e mais fotografias.

Quem quer que entrasse naquela casa ficaria, imediatamente, a conhecer toda a vida do M. relatada por aquelas quatro paredes.

Em todas elas, mais ou menos felizes, se destacava a força do olhar daquele miúdo. E talvez fosse isso que mais me fascinava nele: a vivacidade e espontaneidade de quem não quer perder pitada da vida.

E foi nesse momento que me apercebi de que ele não era merecedor do meu egoísmo em prendê-lo a mim, ao causar-lhe qualquer tipo de sofrimento.

Era isso. O melhor era partir, sem lhe dizer nada. Melhor para ele, melhor para mim.

“Eu, tão bicho do mato” nunca fui capaz de deitar os meus sentimentos cá para fora. Para alguns é tão natural como chorar: sentes  e “bam”, soltas tudo o que tens dentro de ti.

Eu não sou assim. Sou mais teimosa em deixar-me ir, difícil de levar por quem quer que seja.

No entanto, também não sou o gigante de marfim que muitos pensam que sou.

E, portanto, como faltavam exactamente 3 dias para a minha partida, decidi deixar lhe um bilhete.

Prometia voltar brevemente e nunca me esquecer dele. Prometia ligar todos os dias.

Mas aquilo era mais um pedido de «não te esqueças de mim», do que outra coisa.

Deixei o bilhete em cima da mesa e vim-me embora, esperando que ele compreendesse. Que ele não me esquecesse.552314_436324109732022_433825850_n_large

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