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Tens a loucura que a manhã ainda te traz

Este blog resume-se, basicamente, aos meus devaneios mentais.

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06
Dez13

Desafio SAPO: Leituras de 2013

Catarina Watson.

Ora, aceitando o desafio do SAPO este mês, aqui fica a minha apreciação crítica de  “Ensaio sobre a Lucidez” de José Saramago.

 

Este romance de José Saramago é como que o «sucessor» do livro "Ensaio sobre a Cegueira", pois inclui grande parte das personagens deste último, salientando-se ao longo de toda a obra a antítese "cegueira"/"lucidez". Em "Ensaio sobre a Lucidez" a acção constitui toda ela uma metáfora, que critica o governo e hierarquias da nossa sociedade, e foi precisamente a sua temática que me motivou a ler este livro, além de que já tinha ouvido bons comentários acerca da obra.

Para todos aqueles que tiverem curiosidade, posso adiantar que o enredo gira em torno das eleições realizadas numa cidade (aparentemente) surpreendida por significativos números de abstenção, onde se  evidencia a "cegueira" do poder politico que se esforça por responsabilizar alguém -que não ele próprio - por toda aquela situação.

 

Apesar de já ter ouvido falar na obra "Ensaio sobre a Cegueira", nunca tive contacto com ela e, portanto, no inicio de "O Ensaio Sobre a Lucidez" tornou-se um pouco confusa a compreensão de toda a história: não só pelas personagens que acarretavam consigo toda uma história antecedente, mas também pela escrita singular de José Saramago. Na minha opinião esta é uma obra que exige alguma maturidade enquanto leitores, pelo que, para jovens da minha idade, acho que ficamos sempre aquém das segundas interpretações dissimuladas pelo escritor nas entre-linhas. Portanto, daquilo que consegui reter, saliento a critica intemporal aos governantes desta cidade, sinédoque de tantas outras. Mas o que, na verdade, podemos concluir através da leitura deste livro é que devemos ter a lucidez necessária para conseguir viver no seio desta nossa sociedade, onde muitos - comandados pela ambição- abusam do poder e de todos aqueles que se encontram em hierarquias inferiores. No fim de contas, não somos assim tão diferentes dos "cegos" que co-habitam connosco , aliás, muitas das vezes nós próprios nos deixamos contagiar por essa mesma cegueira, não olhando a meios para atingir os fins que pretendemos. E é assim que, através de multiplas metáforas, Saramago transpõe para o papel toda a maldade, fragilidade e corrosão da sociedade moderna, questionando a eficácia da democracia.